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sábado, 19 de março de 2011

Cresce o inferno astral da deputada Jaqueline Roriz



A deputada federal Jaqueline Roriz (PMN), filha do
Ao admitir que recebeu dinheiro de Durval Barbosa mais de uma vez , a deputada Jaqueline Roriz se tornou
ex-governador Joaquim Roriz (PSC), continua sem aparecer no Congresso para explicar o recebimento de propina do ex-secretário Institucional Durval Brabosa – pivô do escândalo do mensalão do DEM e responsável pela gravação em que ela é flagrada recebendo R$ 50 mil. Depois de aceito o pedido do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, relator do processo, o inferno astral de Jaqueline aumentou e agora ela terá de enfrentar a Comissão de Ética da Câmara dos Deputados, que a declarou “ré confessa”.

A declaração foi feita pelo presidente da comissão, José Carlos Araújo (PR-BA), que justificou a declaração afirmando que Jaqueline admitiu a culpa ao afirmar em nota ter recebido por mais de uma vez dinheiro de Durval para sua campanha a deputada distrital, em 2006. José Carlos avisou a deputada: “Não estamos na Câmara para passar a mão na cabeça das pessoas que têm desvio de conduta”, e afirmou que usará a deputada para resgatar a imagem da Casa. “Acho que o caso dela servirá para resgatar a imagem da Câmara. Vou trabalhar com esse propósito”. Na semana que vem a Comissão deve indicar o nome do relator do caso.

Durante a semana o corregedor-geral da Casa, deputado Eduardo Fonte (PP-PE), procurou Jaqueline Roriz para notificá-la sobre a representação em que ela responderá por decoro parlamentar. Na sexta-feira (18) foi feita a última tentativa, caso a filha de Roriz não fosse encontrada a notificação será feita por meio do Diário Oficial da União. A partir da data de publicação Jaqueline terá cinco dias para apresentar sua defesa que poderá ser feita por escrito.

Jaqueline apresentou no início da semana um atestado em que pedia cinco dias de licença médica. Segundo sua assessoria, ela estaria no Rio e só voltaria a Brasília na semana que vem. “As imagens são fortes e falam por si só. A Câmara precisa dar uma resposta para a sociedade. O trabalho da Corregedoria será fazer um relatório que vai apontar ou não indício de irregularidade. Depois, o Conselho de Ética é que fará a investigação, se for a recomendação”, afirmou Fonte.

O presidente da Comissão disse ainda que as declarações públicas de Durval, afirmando que o dinheiro entregue a deputada é “sujo” e fazem parte de um esquema de propina é o suficiente para ouvi-lo em depoimento e abre o precedente para que o delator e a deputada sejam submetidos a uma acariação pela Comissão de Ética da Câmara.

“O dinheiro entregue a Jaqueline Roriz é oriundo das propinas dos contratos de informática do governo do Distrito Federal. O dinheiro é sujo, não tem outra denominação”, enfatizou o delator. A declaração de Durval se contrapõe a dos advogados de Jaqueline Roriz que haviam afirmado que o dinheiro era proveniente de doações não contabilizadas, também conhecidas como caixa dois.

A renúncia é inútil
A opção de renunciar ao mandato para escapar de possível cassação e a perda de direitos políticos por oito anos não surtirá efeito para Jaqueline Roriz. Isso porque, mesmo que renuncie, terá pela frente a Lei da Ficha Limpa – responsável pela desistência e desqualificação da candidatura de seu pai, que tentava se eleger pela quinta vez ao governo do DF e desistiu após impasse entre os ministros do STF às vésperas da eleição de 2010.

Ela não poderá declarar a retroatividade da lei, como fez Roriz, ou declarar inconstitucionalidade da mesma, já que seis dos 11 ministros do STF descartaram esta possibilidade. A única alternativa seria os votos dos deputados ao seu favor, outro problema.

As declarações do presidente José Carlos Araújo, somadas à vontade dos deputados de reconquistar a opinião pública, que nos últimos anos vem desacreditando da política em todos os âmbitos, graças aos inúmeros episódios de corrupção e de impunidade, pode significar o fim precoce da herdeira número 1 do clã Roriz.

Há um interesse em usar o episódio para melhorar a imagem da Casa. A intenção da Comissão de Ética da Câmara é levar Jaqueline a “julgamento” e diminuir a antipatia da população ao Legislativo brasileiro.

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