Fundador
do MegaUpload começou por roubar bancos
As autoridades judiciais da
Nova Zelândia libertaram hoje o fundador do site de partilha de ficheiros
MegaUpload, detido a 20 de janeiro no âmbito de uma operação liderada
pelo FBI.
No entanto, continua pendente o pedido de extradição para os Estados Unidos,
que pretendem julgar Kim Dotcom pelos crimes de violação de direitos de autor,
lavagem de dinheiro e extorsão. Apesar de arriscar uma pena de 20 anos de
prisão, esta não será a sua primeira condenação.
Corria o ano de 1998 quando
aquele que ficou conhecido como "o maior pirata informático alemão",
foi condenado a uma pena suspensa de prisão de dois anos por ter violado redes
informáticas de bancos e empresas de serviços, às quais furtou dezenas de
milhares de libras.
Na sequência desta
condenação, adota o sobrenome Dotcom e cria uma empresa de segurança
informática, a Data Protect, da qual vendeu 80% das ações no ano 2000, no auge
das dotcom, enriquecendo subitamente. A Data Protect faliu no ano seguinte.
Entretanto, investe
centenas de milhares de dólares numa, quase falida, loja online, a
Letbuyit.com. Na mesma altura, anuncia publicamente que o investimento não vai
ficar por aqui, o que faz disparar a cotação da empresa. Infelizmente para os
acionistas, Kim estava a mentir. E em vez de investir dinheiro que na verdade
não tinha, vendeu as suas ações lucrando 1,2 milhões de libras.
Acabaria por ser detido em
Banguecoque, Tailândia, em 2002 e extraditado para a Alemanha, onde nasceu a 21
de janeiro de 1974, para responder por abuso de informação privilegiada. Foi
novamente condenado a uma pena de prisão suspensa, desta feita de um ano e oito
meses, e ao pagamento de uma multa de 100 mil euros, a maior jamais aplicada a
um caso como este pela Justiça alemã.
No ano seguinte, nova
condenação, nova pena de dois anos suspensa, agora por desfalque na sequência
de um empréstimo entre duas empresas de Kim Dotcom.
Inimigo público número 1
A MegaUpload, que detém uma
rede de sites com esta marca (MegaPorn, MegaVideo, MegaLive, MegaPix), foi
criada em 2005 e tem sede em Hong-Kong. Dotcom beneficiou da queda dos preços
dos dispositivos de armazenamento bem como da largura de banda para criar um
cyberlocker, um site onde qualquer internauta pode gratuitamente ou a baixo
custo, guardar e partilhar ficheiros através da Web. Quem pagava, conseguia
fazer downloads mais depressa.
O sucesso alcançado pelo
MegaUpload conferiu a Kim Dotcom o estatuto de inimigo público número 1 dos
detentores de direitos de autor de filmes e discos. Segundo as autoridades
norte-americanas o Megaupload causou
mais de 500 milhões de dólares (377 milhões de euros) de perdas na indústria do
cinema e da música e conseguiu com isso benefícios de 175 milhões de dólares
(132 milhões de euros).
Quando a 20 de janeiro, a
mansão onde vive com três filhos e a mulher, uma ex-modelo filipina, atualmente
grávida de gémeos, nos arredores de Auckland, Nova Zelândia, foi invadida por
uma megaoperação policial (76 elementos e dois helicópteros), tornou-se ainda
mais pública e notória a sua paixão por automóveis dispendiosos.
Entre os 18 veículos
apreendidos pelas autoridades, avaliados em 3,7 milhões de euros, encontravam-se
um Rolls-Royce Phanton e um Cadillac cor-de-rosa de 1959, cujas matrículas
revelam a excentricidade do dono. Na matrícula do Rolls-Royce, por exemplo,
podia ler-se a palavra "God" (Deus em inglês).
As autoridades judiciais da
Nova Zelândia, congelaram ainda 6,8 milhões de euros depositados em diversas
contas bancárias de Kim Dotcom, detido na véspera de fazer 38 anos.
Confiscados todos os bens
que poderia usar para fugir da Nova Zelândia, aguardará agora em liberdade - um
mês depois de ter sido detido - a eventual extradição para os Estados Unidos.
"Estou desejoso de ir
para casa e ver a minha família, os meus três filhotes e a minha mulher que
está grávida", afirmou Dotcom, sorridente, à saída do tribunal.

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